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RADAR ELEITORAL

A quatro dias das urnas, ninguém conseguiu abrir distância

Meio/Ideia mostra Lula com 39,4% e Flávio com 38,4% no primeiro turno. No segundo, a diferença cai a meio ponto.

Redação BROOM3 min de leitura
A quatro dias do primeiro turno, a eleição presidencial continua sem espaço entre os dois candidatos que lideram a disputa. A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 30, mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 39,4% das intenções de voto no cenário estimulado e Flávio Bolsonaro com 38,4%.

A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,2 pontos. Portanto, o resultado é de empate técnico. Não há base estatística para afirmar que um dos dois esteja à frente.

Um ponto não é vantagem

Na rodada anterior do mesmo instituto, divulgada em 9 de setembro, Lula tinha 38,4% e Flávio, 37,3%. Agora, os dois avançaram praticamente na mesma proporção, e a distância passou de 1,1 para 1 ponto.

Isso significa que a disputa ficou apertada. Não significa, isoladamente, que houve uma virada ou uma tendência consolidada. A fotografia mudou pouco, mesmo depois de três semanas de campanha, crises e tentativas de ocupar o noticiário.

A campanha fez barulho. A distância entre os dois respondeu com silêncio.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 31,5% e Flávio com 30,5%. Outros 17,5% dizem não saber em quem votar. O número ajuda a medir quanto da decisão ainda depende da reta final.

Os demais tentam sobreviver ao voto útil

Augusto Cury aparece em terceiro lugar, com 6,7%. Renan Santos tem 4,5%, Ronaldo Caiado marca 4,4% e Romeu Zema, 3,5%. Os demais candidatos não chegam a 1% cada.

Com Lula e Flávio concentrando quase oito em cada dez intenções de voto, a pressão pelo voto útil tende a crescer. Para os candidatos menores, os últimos dias são uma disputa para manter o eleitor. Para os dois líderes, são uma tentativa de encerrar a eleição no primeiro turno ou chegar ao segundo com alguma vantagem política.

O segundo turno já começou antes do primeiro

Na simulação direta, Lula tem 48,5% e Flávio, 48%. Brancos e nulos somam 2,1%, e 1,5% não soube responder. A diferença de meio ponto também configura empate técnico.

Lula vence numericamente os demais adversários testados no segundo turno: marca 48% contra 44% de Augusto Cury, 48,5% contra 44,6% de Ronaldo Caiado, 48% contra 41,3% de Renan Santos e 48,5% contra 44% de Romeu Zema.

O dado reforça que Flávio é hoje o adversário mais competitivo contra o presidente. Também mostra uma eleição polarizada antes mesmo de a urna decidir quem seguirá para a etapa seguinte.

O que a BROOM vê

A pesquisa não entrega um favorito. Entrega uma campanha obrigada a disputar cada voto até o fim.

O ponto mais importante não é a diferença numérica de um ponto, mas a combinação entre empate técnico, grande concentração de votos nos líderes e um eleitorado que ainda admite mudar de escolha. Segundo o Canal Meio, quase um terço dos entrevistados afirma que ainda pode alterar o voto.

Isso aumenta o peso do debate final, das agendas de campanha e de qualquer fato novo que consiga atravessar as bolhas políticas. Também exige cautela: pesquisa mede um momento, dentro de uma margem de erro, e não antecipa o resultado da urna.

Ficha técnica

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Ideia e contratada pelo Canal Meio. Foram entrevistados 2.000 eleitores por telefone entre 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08706/2026-BRASIL.

Em uma eleição separada por tão pouco, quatro dias ainda são muito tempo. E meio ponto continua sendo menos uma resposta do que um aviso.

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