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Pesquisa

Datafolha: os números mexeram. A polarização, nem tanto.

Lula oscilou um ponto para baixo, Flávio um para cima e a ansiedade nacional subiu muito mais. A nova rodada registra disputa apertada — não uma virada.

Redação BROOM5 min de leitura
39×33LULA · FLÁVIO

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira trouxe a matéria-prima favorita de uma eleição: números suficientes para todos comemorarem e margem de erro suficiente para ninguém ter tanta certeza assim.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. Ronaldo Caiado marca 5%, Renan Santos 4%, Romeu Zema 3%, Pablo Marçal e Augusto Cury têm 2% cada. Samara Martins, Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi e Edmilson Costa aparecem com 1%; Clariana Barão e Hertz Dias não pontuaram. Brancos e nulos somam 7%, e 4% ainda não sabem em quem votar.

Na rodada anterior do mesmo instituto, em julho, Lula tinha 40% e Flávio, 32%. A distância, portanto, foi de oito para seis pontos. É uma mudança aritmeticamente verdadeira e eleitoralmente menos cinematográfica do que parece: cada candidato oscilou um ponto, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A pesquisa ganhou mais adjetivos do que pontos. Os dados dizem estabilidade; a campanha prefere chamar de arrancada, reação ou resistência.

No segundo turno, Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 43%. A diferença está no limite da margem de erro. Traduzindo do dialeto estatístico para o português brasileiro: a disputa está apertada, mas a urna ainda não recebeu autorização para anunciar vencedor em agosto.

Há outro empate desconfortável. Flávio é rejeitado por 46% dos entrevistados e Lula, por 45%. O país pode estar escolhendo presidente, mas continua treinando com afinco a modalidade nacional de votar contra alguém.

O que a pesquisa mede — e o que não mede

O Datafolha ouviu 2.058 pessoas entre 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04496/2026.

Pesquisa é fotografia, não trailer do resultado. Ela registra respostas dadas em determinados dias, com uma amostra e uma metodologia específicas. Não prevê comparecimento, não congela campanha e não transforma os indecisos em decoração.

Também não faz sentido comparar qualquer levantamento com qualquer outro como se todos usassem a mesma régua. Instituto, questionário, datas de campo e cenários apresentados importam. Quando mudam, a comparação direta pode criar uma tendência que existe mais na manchete do que no eleitorado.

O retrato desta rodada é mais simples: Lula segue à frente, Flávio segue competitivo, os demais seguem distantes e a polarização segue ocupando quase todo o sofá. Houve oscilação. Terremoto, por enquanto, só na interpretação.

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