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Pesquisa eleitoral

Cury chegou aos dois dígitos. A polarização ganhou um terceiro incômodo.

A Real Time Big Data mantém Lula na liderança, registra empate de 44% com Flávio Bolsonaro no segundo turno e confirma Augusto Cury como o nome que mais se movimenta fora dos dois polos.

Redação BROOM4 min de leitura
38·29LULA · FLÁVIO · CURY 10% · REAL TIME

A eleição presidencial continua organizada em torno de Lula e Flávio Bolsonaro.

Mas agora há alguém batendo na porta da conversa.

A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio aparece com 29%. Augusto Cury chegou a 10%.

No cenário sem Pablo Marçal, os números mudam pouco para os líderes — Lula permanece com 38% e Flávio vai a 30% —, mas Cury sobe para 11%.

É a segunda pesquisa consecutiva em que o candidato do Avante aparece perto ou acima dos dois dígitos. Na Atlas/Bloomberg divulgada um dia antes, ele havia registrado 7,8%.

Não significa que nasceu uma terceira via. Significa que, pela primeira vez nesta campanha, alguém fora da dupla principal começou a ocupar espaço suficiente para incomodá-la.

A polarização continua de pé. Só deixou de estar sozinha na sala.

O primeiro turno tem líder. O segundo perdeu a distância.

Lula conserva uma vantagem de nove pontos sobre Flávio no cenário que inclui todos os nomes testados.

A vantagem é clara. O conforto, nem tanto.

Quando a pesquisa simula um segundo turno entre os dois, o resultado é um empate numérico: 44% para Lula e 44% para Flávio. Brancos e nulos somam 7%; outros 5% não souberam responder.

Na rodada anterior da Real Time, realizada em julho, Lula tinha 45% e Flávio, 42%. A distância desapareceu dentro da mesma série.

É importante não confundir empate em uma pesquisa com empate definitivo na eleição. Levantamentos diferentes, feitos com métodos diferentes, apresentam retratos diferentes. Na Atlas/Bloomberg, por exemplo, Lula aparece à frente de Flávio no segundo turno por 47,1% a 42,6%.

A pesquisa não entrega uma profecia. Entrega um aviso: a disputa direta permanece aberta.

Cury encontrou uma brecha

Augusto Cury saiu do primeiro debate presidencial com exposição nacional, passou pela sabatina da Globo apresentando propostas que misturam inteligência artificial, telemedicina, tributação das bets e redução de ministérios — e começou a crescer.

Na Real Time, tem 10% no cenário com Marçal e 11% sem ele. Na Atlas, aparece com 7,8%, tecnicamente empatado com Renan Santos na terceira posição.

Os percentuais não devem ser comparados como se fossem uma única sequência, porque vêm de institutos diferentes. O movimento comum, entretanto, merece atenção: Cury aparece acima do patamar que ocupava no início da campanha.

Parte desse crescimento pode refletir maior conhecimento do nome. Parte pode vir de eleitores que procuram uma alternativa sem abandonar completamente o campo da direita ou do centro. E parte ainda pode desaparecer quando a campanha apertar e o voto útil começar a cobrar aluguel.

Por enquanto, a conclusão segura é menor — e mais relevante: Cury conseguiu entrar na disputa pela atenção.

O que a BROOM vê

O crescimento de uma terceira candidatura produz efeitos mesmo que ela não alcance o segundo turno.

Cury pode retirar votos de Flávio, absorver indecisos, atrair eleitores de outros candidatos menores e obrigar Lula a disputar um público que imaginava assistir de longe. Também pode se tornar alvo das campanhas principais — o método tradicional pelo qual a política brasileira reconhece que alguém passou a importar.

Mas dois dígitos não transformam propostas em políticas viáveis.

A nova exposição aumenta a obrigação de confrontar as ideias de Cury com custos, competências legais e capacidade de execução. Criar estruturas para inteligência artificial, ampliar a telemedicina ou alterar profundamente a tributação das apostas são propostas que exigem mais que uma boa frase durante uma sabatina.

O candidato ganhou espaço. Agora precisa preenchê-lo.

Caiado vence Lula numericamente. A margem pede cautela.

A Real Time também testou outros confrontos de segundo turno.

Ronaldo Caiado aparece com 45% contra 43% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.

Contra Romeu Zema, Lula marca 43% e Zema, 40%. Contra Pablo Marçal, Lula tem 44% e Marçal, 40%. Nos dois casos, as diferenças também permanecem dentro do intervalo máximo produzido pela margem de erro considerando os percentuais dos candidatos.

Lula vence Renan Santos por 44% a 37%.

Esses cenários não dizem que todos os adversários têm a mesma chance de chegar ao segundo turno. Eles medem como o eleitor reagiria se cada confronto acontecesse.

O primeiro turno escolhe quem poderá fazer essa pergunta de verdade.

Uma eleição com duas disputas

A pesquisa revela duas corridas simultâneas.

Na primeira, Lula e Flávio disputam a Presidência — com vantagem petista no primeiro turno e empate no confronto direto.

Na segunda, Cury, Renan, Caiado, Marçal e Zema disputam quem consegue romper o teto dos candidatos secundários antes que o voto útil feche a porta.

Cury foi o primeiro a colocar o pé na soleira.

Ainda falta saber se está entrando ou apenas segurando a porta aberta.

Lula lidera. Flávio continua competitivo. Cury apareceu. A eleição ganhou um terceiro verbo.

Ficha técnica

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Real Time Big Data, com recursos próprios. Foram entrevistados 2.000 eleitores entre 27 e 31 de agosto de 2026.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03490/2026.

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