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A campanha eleitoral vai entrar na TV. As denúncias chegaram primeiro

Horário eleitoral começa nesta sexta-feira, enquanto o Pardal ultrapassa 3,4 mil registros de possíveis irregularidades. A eleição ainda está aquecendo — e a fiscalização já pediu ventilador.

Redação BROOM4 min de leitura
28AGO · A CAMPANHA
ENTRA NA TV
AS DENÚNCIAS CHEGARAM PRIMEIRO

A partir desta sexta-feira, 28 de agosto, a campanha eleitoral brasileira ganha aquele momento inevitável em que o intervalo da novela deixa de vender automóvel, remédio para azia e plano de internet para apresentar candidatos sorrindo diante de famílias igualmente sorridentes.

Começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

Para que os programas cheguem às emissoras sem depender de milhares de entregas individuais, o Tribunal Superior Eleitoral colocou em funcionamento o Pool de Mídia das Eleições 2026. A estrutura recebe os materiais enviados pelos partidos, organiza os arquivos conforme o plano de mídia e distribui o sinal nacionalmente.

Na televisão, o conteúdo será gerado diretamente do TSE e transmitido às emissoras via satélite. No rádio, a propaganda em rede usará o mesmo canal de transmissão da Voz do Brasil. Também haverá inserções curtas espalhadas ao longo da programação — porque aparentemente não basta conhecer um candidato durante o intervalo: é preciso reencontrá-lo várias vezes ao dia.

O horário eleitoral do primeiro turno vai de 28 de agosto a 1º de outubro. Nesse período, partidos, federações e coligações tentarão realizar uma tarefa que a política brasileira ainda não automatizou: convencer o eleitor.

A televisão entra em cena

A propaganda eleitoral já estava autorizada desde 16 de agosto, inclusive na internet, nas ruas e nos eventos de campanha. Mas a entrada no rádio e na televisão muda o tamanho do palco.

As redes sociais permitem que candidatos falem principalmente com quem já os segue, admira, detesta ou acompanha apenas para tirar print. A televisão aberta, por outro lado, ainda atravessa bolhas, chega a públicos mais amplos e coloca candidaturas conhecidas e desconhecidas na mesma sala de estar.

Isso não significa que todos terão a mesma exposição. O tempo de propaganda é distribuído segundo critérios definidos pela legislação e pela representação partidária. A gratuidade, neste caso, é para quem assiste: a exibição gera compensação fiscal às emissoras.

Também não significa que o eleitor receberá apenas informação. Horário eleitoral é uma mistura de currículo, promessa, música, edição emocional, bandeira tremulando e candidato caminhando em direção a algum horizonte cuidadosamente escolhido pela equipe de vídeo.

O que aparece na tela é campanha. Não auditoria.

Enquanto isso, o Pardal está trabalhando

Antes mesmo da estreia na televisão, o aplicativo Pardal já havia recebido 3.468 denúncias de possíveis irregularidades eleitorais. Na quarta-feira, 19 de agosto, eram 1.103. Em cinco dias, o número mais que triplicou.

É importante manter a palavra “possíveis” nesta frase. Uma denúncia registrada não equivale a uma infração confirmada. Os relatos são encaminhados à Justiça Eleitoral para análise e eventual adoção de providências.

Os maiores volumes envolvem as disputas para deputado estadual, com 1.245 registros, e deputado federal, com 1.096. As campanhas presidenciais somavam 57 denúncias.

Entre os tipos de ocorrência, aparecem principalmente irregularidades em vias públicas, com 1.200 registros, propaganda na internet, com 599, e uso de bens públicos, com 339. Também existem denúncias envolvendo carros de som, propriedades particulares, outdoors, material gráfico e adesivos em automóveis.

São Paulo liderava o número de registros, com 613, seguido por Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Ceará.

Os números dizem tanto sobre a campanha quanto sobre o eleitorado. A fiscalização deixou de depender apenas de fiscais circulando pelas cidades. Agora, qualquer pessoa pode registrar uma ocorrência pelo celular, anexar imagens, vídeos, áudios e endereços eletrônicos — depois de se identificar pelo e-Título ou Gov.br.

A identidade de quem denuncia permanece sob sigilo.

A urna ainda está longe, mas a disputa já ocupou tudo

A partir de sexta-feira, a eleição estará simultaneamente na televisão, no rádio, nas redes sociais, nas ruas, nos grupos de família e, inevitavelmente, nas conversas em que alguém prometeu que “não queria falar de política”.

O eleitor terá mais acesso às candidaturas, mas também receberá uma quantidade maior de propaganda produzida para parecer informação. A diferença nem sempre estará escrita em letras grandes.

Por isso, o início do horário eleitoral não deveria ser apenas o momento de observar quem tem o melhor jingle ou a família mais fotogênica. É também a hora de comparar o que aparece na tela com os programas de governo, os históricos dos candidatos e a viabilidade das promessas.

Se uma peça emociona, vale perguntar o que ela informa.

Se uma promessa parece simples, vale procurar quem paga, quanto custa e quando seria entregue.

Se uma denúncia parece escandalosa, vale esperar a apuração antes de transformá-la em sentença.

A televisão oferece palco. O Pardal oferece fiscalização. Nenhum dos dois substitui o trabalho de entender o que está sendo apresentado.

Porque campanha eleitoral é justamente isso: durante algumas semanas, todo candidato tem uma solução, todo problema cabe em 30 segundos e o Brasil aparece iluminado por uma luz de fim de tarde.

A realidade, como sempre, entra no ar depois.
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